Painéis solares que funcionam à noite e com chuva
ILÍDIA PINTO
Ecologia. Empresa da Póvoa de Varzim fabrica painéis únicos no mundo. Funcionam em todas as condições atmosféricas e concedem à Energie uma quota de 60% do mercado nacional
Sistema já chegou ao Convento das Carmelitas de Fátima
Ser tão intensamente requisitado por meios tão distintos como a muito conceituada revista norte-americana de economia, finanças e negócios Forbes, ou a TV Globo, a quarta maior emissora do mundo, vista diariamente por 80 milhões de pessoas, não lhe muda a forma de estar. Luís Rocha, presidente da Energie, recebe os jornalistas de sorriso aberto. Esta é a única empresa no mundo que fabrica painéis solares termodinâmicos que funcionam nos dias de chuva e, até, à noite.
Fundada em 1986, a empresa é detentora exclusiva da patente e fabricante dos sistemas solares termodinâmicos. Uma patente que lhe vale já hoje uma quota de 60% do mercado nacional e a entrada nos mercados europeus a uma velocidade de algum modo surpreendente, que não estava nas estratégias da empresa. O resultado é que, a exemplo dos media, também ao nível das encomendas as solicitações são mais que muitas.
A diferença dos painéis termodinâmicos face aos tradicionais reside no facto de a água que circula nos painéis tradicionais ter sido substituída por um líquido ecológico frigorigéneo (é designado por Klea ou pelo nome científico de R134a e corresponde ao mesmo usado nos frigoríficos ou aparelhos de ar condicionado), que assegura o processo baseado no princípio do físico francês Nicolas Carnot, que descobriu a termodinâmica em 1840. É assim que os painéis solares termodinâmicos captam o calor do Sol, da chuva e do vento, 24 horas por dia. Os painéis tradicionais dependiam da existência de luz e sol, o que no Inverno é limitado.
"A grande vantagem ambiental da utilização dos nossos painéis está na emissão de dióxido de carbono. Eles não produzem efeitos nocivos para a natureza. Um sistema de 300 litros de águas quentes sanitárias para uma família reduz a emissão de CO2 em 2,6 toneladas ao ano face às outras energias", sublinha Luís Rocha. E lembra que há, ainda, as vantagens acrescidas da redução do consumo energético global e a consequente diminuição da factura energética do agregado. "A sociedade tem de evoluir para a utilização racional da energia. A energia mais renovável é a que não consumimos e as pessoas têm de se mentalizar disso", refere.
Há muitas formas de poupança, reconhece o empresário. E, por isso, a própria indústria "está a responder paulatinamente a essa necessidade de redução dos consumos", apostando na melhoria das perfomances dos equipamentos. "O futuro passa por aí", sustenta.
Para uma família de seis elementos, é possível obter um sistema Energie por dois mil euros, diz Luís Rocha. "Pode ir um pouco acima, aos três mil, 3500 euros, se utilizarmos termoacumuladores de aço inoxidável, com durabilidades que podem ir aos 20 ou 30 anos", acrescenta. Espanha, França, Irlanda, Grã-Bretanha e Bélgica são os mercados onde os painéis Energie já são vendidos. A exportação arrancou há apenas dois anos mas representa já 40% da facturação.
O Empreendimento Ponte da Pedra, em São Mamede de Infesta, Matosinhos, foi distinguido com o prémio de Eficiência Energética 2007, atribuído pela Direcção-Geral de Energia e dos Transportes da Comissão Europeia, graças aos 132 painéis Energie. Tornou-se o primeiro empreendimento cooperativo de construção sustentável em Portugal. Mas os sistemas da empresa estão já em funcionamento em complexos hoteleiros, shoppings, restaurantes, escolas, etc. O mais emblemático foram os 70 painéis colocados no Convento das Carmelitas, em Fátima. |
http://dn.sapo.pt/2008/06/29/sociedade/paineis_solares_funcionam_a_noite_e_.html
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domingo, 29 de junho de 2008
Inovações "made in India"
Miguel Pina e Cunha
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Uma das diferenças mais salientes entre os processos de desenvolvimento em curso na China e na Índia diz respeito ao papel da inovação e do conhecimento. Se a China tem vivido da vantagem de custo, apesar da recente tentativa de subida na cadeia de valor, na Índia a mudança tem uma base de conhecimento que interessa considerar.
A sofisticação desse conhecimento, cada vez mais notória, tem-se revelado num conjunto de inovações de gestão que vão surpreendendo o mundo. Neste texto, são destacadas duas ideias aparentemente simples mas dotadas de um considerável impacto potencial: o carro "low cost" e a exploração da base da pirâmide.
Uma das mais conhecidas inovações "made in India" é o já famoso Nano, o carro "low cost", anunciado em Janeiro deste ano pelo gigante Tata Motors. A reacção a este movimento foi vigorosa. Os ambientalistas entraram em pânico, com a perspectiva da chegada às estradas de mais umas centenas de milhares de automóveis. Como se não bastassem os Nano, perspectiva-se também a entrada em cena de um modelo equivalente produzido pela parceria Renault/Nissan/Bajaj. O crescimento previsto nas vendas de utilitários de passageiros na Índia é de 13%. De algum modo, o Nano representa uma nova versão, oriental, do velho sonho de Henry Ford, o de proporcionar um carro a cada família. Ao pensar um automóvel à medida de muitos consumidores do subcontinente, a Tata mostra como continuam a existir ovos de Colombo por desencantar no mundo do negócio.
O processo de exploração que conduziu ao desenvolvimento do Nano não é muito diferente de outra noção que vai adquirindo popularidade: a base da pirâmide. A base da pirâmide refere-se à ideia de que as empresas devem competir para satisfazer as necessidades dos consumidores pobres. Vários acontecimentos contribuíram para a atenção que o tema tem merecido no passado recente, mas dois foram particularmente salientes:
l A publicação, em 2005, do livro de C.K. Prahalad, Fortune at the Bottom of the Pyramid. Prahalad, um importante investigador da Universidade de Michigan e co-autor do célebre Competing for the Future, apresenta as populações pobres como um mercado potencialmente interessante desde que abordado da forma correcta. As empresas mais atentas a este mercado começaram de resto a explorá-lo, por vezes em parceria com ONG com forte conhecimento das especificidades locais. A reinvenção de produtos, mercados e negócios, é uma possibilidade assumida pela ideia de que é possível melhorar a condição humana com a economia de mercado.
l A popularidade granjeada a Muhamad Yunnus pela atribuição do prémio Nobel da Paz. O caso de Yunnus e do seu Grameen Bank, é bem conhecido, pelo que basta recordar o seu papel no desenvolvimento do microcrédito e a sua atitude anti-caridade.
Mas quem está afinal na "base da pirâmide"? De acordo com o relatório Os Próximos Quatro Mil Milhões, da IFC (Corporação Financeira Mundial) e do Instituto dos Recursos Mundiais, publicado em Março de 2007, trata-se de 4.000.000.000 de pessoas que vivem com um, dois ou três dólares por dia. Representam 60% da população mundial. 5.000.000.000.000 de dólares é o valor do poder de compra agregado destas populações pobres. Os desafios para as empresas são diversos, desde a oferta de produtos de qualidade a baixo preço, à construção de infra-estruturas capazes de sustentar o crescimento e o desenvolvimento humano. A exploração da base da pirâmide comporta um enorme potencial de destruição criativa. Inovações simples podem produzir resultados comerciais muito significativos. Escusado será dizer que estas ideias estão já a ser exportadas da Índia para outros países com consumidores pobres, cuja qualidade de vida pode ser melhorada com a descoberta de pequenas inovações capazes de produzir grandes efeitos e de pôr a poderosa força de resolução de problemas que é a economia de mercado ao serviço do combate à pobreza.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=321774
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Uma das diferenças mais salientes entre os processos de desenvolvimento em curso na China e na Índia diz respeito ao papel da inovação e do conhecimento. Se a China tem vivido da vantagem de custo, apesar da recente tentativa de subida na cadeia de valor, na Índia a mudança tem uma base de conhecimento que interessa considerar.
A sofisticação desse conhecimento, cada vez mais notória, tem-se revelado num conjunto de inovações de gestão que vão surpreendendo o mundo. Neste texto, são destacadas duas ideias aparentemente simples mas dotadas de um considerável impacto potencial: o carro "low cost" e a exploração da base da pirâmide.
Uma das mais conhecidas inovações "made in India" é o já famoso Nano, o carro "low cost", anunciado em Janeiro deste ano pelo gigante Tata Motors. A reacção a este movimento foi vigorosa. Os ambientalistas entraram em pânico, com a perspectiva da chegada às estradas de mais umas centenas de milhares de automóveis. Como se não bastassem os Nano, perspectiva-se também a entrada em cena de um modelo equivalente produzido pela parceria Renault/Nissan/Bajaj. O crescimento previsto nas vendas de utilitários de passageiros na Índia é de 13%. De algum modo, o Nano representa uma nova versão, oriental, do velho sonho de Henry Ford, o de proporcionar um carro a cada família. Ao pensar um automóvel à medida de muitos consumidores do subcontinente, a Tata mostra como continuam a existir ovos de Colombo por desencantar no mundo do negócio.
O processo de exploração que conduziu ao desenvolvimento do Nano não é muito diferente de outra noção que vai adquirindo popularidade: a base da pirâmide. A base da pirâmide refere-se à ideia de que as empresas devem competir para satisfazer as necessidades dos consumidores pobres. Vários acontecimentos contribuíram para a atenção que o tema tem merecido no passado recente, mas dois foram particularmente salientes:
l A publicação, em 2005, do livro de C.K. Prahalad, Fortune at the Bottom of the Pyramid. Prahalad, um importante investigador da Universidade de Michigan e co-autor do célebre Competing for the Future, apresenta as populações pobres como um mercado potencialmente interessante desde que abordado da forma correcta. As empresas mais atentas a este mercado começaram de resto a explorá-lo, por vezes em parceria com ONG com forte conhecimento das especificidades locais. A reinvenção de produtos, mercados e negócios, é uma possibilidade assumida pela ideia de que é possível melhorar a condição humana com a economia de mercado.
l A popularidade granjeada a Muhamad Yunnus pela atribuição do prémio Nobel da Paz. O caso de Yunnus e do seu Grameen Bank, é bem conhecido, pelo que basta recordar o seu papel no desenvolvimento do microcrédito e a sua atitude anti-caridade.
Mas quem está afinal na "base da pirâmide"? De acordo com o relatório Os Próximos Quatro Mil Milhões, da IFC (Corporação Financeira Mundial) e do Instituto dos Recursos Mundiais, publicado em Março de 2007, trata-se de 4.000.000.000 de pessoas que vivem com um, dois ou três dólares por dia. Representam 60% da população mundial. 5.000.000.000.000 de dólares é o valor do poder de compra agregado destas populações pobres. Os desafios para as empresas são diversos, desde a oferta de produtos de qualidade a baixo preço, à construção de infra-estruturas capazes de sustentar o crescimento e o desenvolvimento humano. A exploração da base da pirâmide comporta um enorme potencial de destruição criativa. Inovações simples podem produzir resultados comerciais muito significativos. Escusado será dizer que estas ideias estão já a ser exportadas da Índia para outros países com consumidores pobres, cuja qualidade de vida pode ser melhorada com a descoberta de pequenas inovações capazes de produzir grandes efeitos e de pôr a poderosa força de resolução de problemas que é a economia de mercado ao serviço do combate à pobreza.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=321774
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Energia Geotérmica
Grande parte da electricidade consumida pode vir da terra.
Dentro de duas décadas, Portugal poderá produzir energia geotérmica suficiente para fornecer electricidade a grande parte do país, através de uma forma inovadora de aproveitar o calor da terra.
O projecto, hoje apresentado, é pioneiro em Portugal e baseia-se em sistemas geotérmicos estimulados, que permitem produzir energia eléctrica de forma renovável, limpa para o ambiente e praticamente inesgotável.
"Estamos a falar de 500 MW em dez anos, algo mais rápido e mais barato do que uma central nuclear", afirmou João Gabriel Silva, aos jornalistas.
O antigo dirigente da Quercus e actual presidente dos conselhos científico e directivo da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCTUC) sublinha que "Portugal tem um potencial de produção de energia geotérmica enorme, capaz de garantir todas as necessidades energéticas do país".
O projecto envolve a FCTUC e a empresa Geovita, do grupo Patris Capital, que prevê investir meio milhão de euros só nos primeiros três anos - a fase de prospecção e pesquisa de uma área delimitada, situada na região Centro.
"Acreditamos que num horizonte de três a cinco anos, estejamos já a produzir energia eléctrica através do calor da terra", referiu Gonçalo Pereira Coutinho, presidente do conselho de administração da Patris Capital.
Se tudo correr como previsto, disse à Lusa João Gabriel Silva, "dentro de 20 anos, a maior parte da energia eléctrica do país será produzida através da energia geotérmica".
As unidades de produção geotérmica estimulada podem ser instaladas, "sem impacto ambiental, em praticamente todo o lado, e com baixos custos de investimento", acrescentou.
A diferença entre a produção tradicional de energia geotérmica e a estimulada reside no facto de, nesta, a água ser injectada a partir da superfície.
Ao ser injectada para um furo, que pode atingir cinco a seis quilómetros de profundidade, a água abre fracturas na rocha e espalha-se por zonas a 200 ou mais graus de temperatura. Evapora-se e sobe então à superfície, através de um segundo furo, alimentando assim o funcionamento de um gerador.
O projecto já mereceu parecer técnico favorável da Direcção Geral de Energia e Geologia, aguardando apenas autorização para o exclusivo de prospecção e pesquisa de uma área de 500 Km2, situada entre Oliveira do Hospital (Coimbra) e Nelas.
Diário Digital / Lusa
27-05-2008 19:24:32
Dentro de duas décadas, Portugal poderá produzir energia geotérmica suficiente para fornecer electricidade a grande parte do país, através de uma forma inovadora de aproveitar o calor da terra.
O projecto, hoje apresentado, é pioneiro em Portugal e baseia-se em sistemas geotérmicos estimulados, que permitem produzir energia eléctrica de forma renovável, limpa para o ambiente e praticamente inesgotável.
"Estamos a falar de 500 MW em dez anos, algo mais rápido e mais barato do que uma central nuclear", afirmou João Gabriel Silva, aos jornalistas.
O antigo dirigente da Quercus e actual presidente dos conselhos científico e directivo da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCTUC) sublinha que "Portugal tem um potencial de produção de energia geotérmica enorme, capaz de garantir todas as necessidades energéticas do país".
O projecto envolve a FCTUC e a empresa Geovita, do grupo Patris Capital, que prevê investir meio milhão de euros só nos primeiros três anos - a fase de prospecção e pesquisa de uma área delimitada, situada na região Centro.
"Acreditamos que num horizonte de três a cinco anos, estejamos já a produzir energia eléctrica através do calor da terra", referiu Gonçalo Pereira Coutinho, presidente do conselho de administração da Patris Capital.
Se tudo correr como previsto, disse à Lusa João Gabriel Silva, "dentro de 20 anos, a maior parte da energia eléctrica do país será produzida através da energia geotérmica".
As unidades de produção geotérmica estimulada podem ser instaladas, "sem impacto ambiental, em praticamente todo o lado, e com baixos custos de investimento", acrescentou.
A diferença entre a produção tradicional de energia geotérmica e a estimulada reside no facto de, nesta, a água ser injectada a partir da superfície.
Ao ser injectada para um furo, que pode atingir cinco a seis quilómetros de profundidade, a água abre fracturas na rocha e espalha-se por zonas a 200 ou mais graus de temperatura. Evapora-se e sobe então à superfície, através de um segundo furo, alimentando assim o funcionamento de um gerador.
O projecto já mereceu parecer técnico favorável da Direcção Geral de Energia e Geologia, aguardando apenas autorização para o exclusivo de prospecção e pesquisa de uma área de 500 Km2, situada entre Oliveira do Hospital (Coimbra) e Nelas.
Diário Digital / Lusa
27-05-2008 19:24:32
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